O Homem Integral

Por Osvaldo Quelhas (26/07/2005)

1- Quem é o homem? A razão em questão:
Quem é o homem? O que o constitui? Ao procurarmos a resposta para estas questões passamos a nos movimentar num terreno instável, composto por respostas superficiais, afirmações subjetivas ou doutrinárias que não resistem a uma reflexão cuidadosa sobre a experiência pessoal e nos remetem ao domínio da incerteza.

Nada deve ser afirmado sobre esta questão, que é a única realmente decisiva para o homem. Resta apenas a hesitação ou algumas afirmações tênues e convencionais, que não valem o sacrifício da vida. O homem não sabe quem é, não sabe para onde vai, qual é o sentido dos pequenos e grandes fatos que se sucedem em sua existência e, mais grave ainda, afasta estas questões de seu horizonte no cotidiano, tornando-se uma pálida imagem daquilo que está chamado a ser.

Inconsistência, incapacidade de criação e de assumir responsabilidades são alguns dos sintomas do obscurecimento da consciência do homem atual. Como afirma Hanna Arendt ?a redução do homem a um feixe de reações o separa, com a mesma radicalidade de uma doença mental, de tudo o que nele é personalidade?.1

Esta constatação, longe de diminuir nossa crença no valor do homem, impele-nos a trabalhar de modo mais determinado, compreendendo o contexto cultural em que estamos mergulhados, nossos limites e potencialidades.

O que é então, próprio da natureza humana? De acordo com o grande pensador Tomás de Aquino ?o ser do homem propriamente consiste em ser de acordo com a razão. E assim, manter-se alguém em seu ser, é manter-se naquilo que condiz com a razão.? Em outra sentença Tomás afirma que ?o primeiro princípio de todas as ações humanas é a razão e quaisquer outros princípios que se encontrem para as ações humanas obedecem, de algum modo, à razão?.2

Mesmo no interior de um contexto hostil ao florescimento de uma consciência plena, os fatores constitutivos da natureza humana podem ser atestados na experiência pessoal de cada um.

Razão e liberdade: eis os fatores que constituem o homem. Esta afirmação não parte de uma abordagem teórica, mas do reconhecimento de que o homem é o nível em que a natureza toma consciência de si mesma.

Por que vale a pena viver? Qual é o sentido da vida? Por que existem a dor e a morte? Qual é a razão do sofrimento humano? Estas perguntas revelam o dinamismo da razão em busca da verdade, da compreensão do sentido da existência e de toda a realidade. São perguntas perenes ou fundamentais, expressas ao longo do tempo pelos gênios da literatura e da arte, são perguntas inextirpáveis, pois constituem o próprio tecido da nossa consciência. Ainda que estejam obscurecidas pela vida social, estas perguntas não podem ser eliminadas pois estão enraizadas no nosso ser e propõem continuamente a pergunta última que define o homem como tal. Elas ?exprimem a urgência de encontrar um porquê da existência, de todos os seus instantes, tanto das suas etapas salientes e decisivas como de seus momentos mais comuns. Em tais perguntas, é testemunhada a razão profunda da existência humana, pois nelas a vontade, a inteligência e a vontade do homem são solicitadas a procurar livremente a solução capaz de oferecer um sentido pleno à vida. Esses interrogativos, portanto, constituem a expressão mais elevada da natureza do homem; por conseguinte, a resposta a eles mede a profundidade do seu empenho na própria existência?.3

O desejo de compreender o sentido último da existência, que chamamos de senso religioso, manifesta-se através destas inquietações, é a expressão da própria natureza da razão e está na raiz de todo movimento humano, identificando-se com a fonte, a energia que provoca, sustenta e redefine o movimento dos povos no decorrer da história. O homem é homem porque não cessa de interrogar-se sobre o sentido do mundo e não apenas porque é capaz de agir sobre ele ou moldá-lo de acordo com suas necessidades.

A presença do homem na natureza introduz um fator peculiar e único: a consciência e o afã de significado. O senso religioso é, então, a pergunta da totalidade que constitui a razão, isto é, a capacidade que o homem tem de conhecer, de penetrar a realidade em busca de seu significado total. Ele está presente em toda e qualquer posição humana, pois mesmo sem ter consciência disto o homem afirma através de seus atos cotidianos que vale a pena viver. O desenvolvimento das ciências naturais, da antropologia, da filosofia e de todo o universo do saber comprovam a exigência de sentido, a incansável busca de respostas dentro de um campo limitado da realidade.

2 - A razão em busca de sua realização:
O processo de secularização que teve início na Idade Moderna e atingiu o ápice no Iluminismo foi o grande responsável pela redução do conceito de razão que chegou até os nossos dias. A razão passou a ser concebida como medida do real, uma categoria limitada pela capacidade humana de demonstração empírica ou pela lógica. A razão, ao contrário, é um olhar aberto para a realidade e pode ser definida como a ?capacidade de dar-se conta do real segundo a totalidade dos seus fatores?, é a abertura para acolher todas as possibilidades contidas na complexidade e multiplicidade do real.4

Quando é compreendida como exigência de significado, a razão recupera a sua real dimensão e a categoria da possibilidade ? tão cara à pesquisa científica ? que havia sido suprimida na concepção anterior é reintroduzida.

O que busca então a razão? Nada menos que a realização total. Nada menos que o Infinito. O objeto para o qual se dirige toda a energia humana sempre está além daquilo que nossa capacidade pode atingir. O senso religioso expressa a necessidade de uma resposta totalizante, capaz de abarcar completamente o horizonte da razão, de exaurir a categoria da possibilidade, mas há uma desproporção entre o horizonte último e a capacidade humana de atingi-lo.

A desproporção em relação à resposta total é assim descrita pelo poeta italiano Leopardi em seus Pensamentos: ?...mas o fato de não se satisfazer de nenhuma coisa terrena, nem, por assim dizer, da Terra inteira; de considerar a amplitude inestimável do espaço, o número e a imponência maravilhosa dos mundos e descobrir como tudo é mísero e pequeno diante de nossa alma; de imaginar infinita a quantidade de mundos, sentir que nossa alma e nosso desejo são ainda mais vastos que tal universo; de acusar continuamente as coisas de insuficiência e nulidade e padecer de angústia e vazio e, portanto de tédio, parecem-me o maior sinal da magnitude e da nobreza da condição humana.?5

A vida é sede de um objeto que pode ser reconhecido pelo homem, mas permanece sempre além dele. Daí a facilidade em identificar o objeto último ? a realização ? com os aspectos parciais que podemos alcançar ? as realizações.6 Com efeito, depois da quebra da unidade operada pelo Iluminismo, o homem passou a aspirar ao sucesso e à realização de aspectos setoriais como trabalho, família, finanças, espiritualidade, saúde e outros, esquecendo-se que o problema central da vida consiste em reconhecer um ideal que dê sentido a todos estes aspectos e colocar-se em caminho nesta direção.

Infelizmente, o homem atual renunciou à busca da realização de si mesmo em sua totalidade (nem mesmo cogita tal hipótese) e contenta-se em equilibrar com êxito o maior número de setores, entendendo que o máximo que se possa almejar à realização simultânea dos vários setores de sua vida. É sintomático que a espiritualidade hoje seja concebida como um dos setores a serem satisfeitos pelo homem, ou seja, uma entre tantas partes que compõem o homem. Até mesmo neste campo o homem deve ser bem sucedido, contando para isto com métodos específicos oferecidos por uma vasta literatura de auto-ajuda. Como nos ensina Pieper: ?Todo desejo de felicidade do homem, por menores que sejam as satisfações em que se possa perder, se orienta infalivelmente para uma satisfação suprema que é o que na realidade ele procura?, mas constatamos que a mentalidade predominante leva-nos ao esquecimento desta exigência original.7

Desta forma, fixamos nosso olhar e dirigimos nossa energia na direção de objetos particulares, imediatos e palpáveis, calando a exigência profunda de realização total do humano inscrita em nossa razão, a qual busca expressar-se através da satisfação destes objetivos.

3 - Indicações para a educação da razão:
Não é difícil perceber as conseqüências do obscurecimento da razão ou do senso religioso.
?Estamos sob o domínio da confusão e do desconcerto, da falta de referências claras, da falta de critérios claros para decidir operativamente, para assumir as responsabilidades da vida. É um mundo no qual a identidade do eu parece cotidianamente posta em crise: um eu inconsistente, incapaz de criação, incapaz de responsabilidade. Entorpecido pelos acontecimentos que o solicitam continuamente?.8

Conhecemos de perto a violência do poder, do terrorismo, da miséria e da injustiça, assim como todo o anseio e dedicação do homem para modificar estas circunstâncias. O desenvolvimento da tecnologia e da pesquisa científica atestam o trabalho e a fenomenal capacidade humana de interrogar, descobrir a realidade das coisas, utilizar a herança recebida e transformá-la em benefício da vida, mas revelam também a desorientação quanto à finalidade última. Por vezes, a tecnologia e a ciência são alçadas à condição de causa última, trazendo conseqüências imprevisíveis para a humanidade, já que elas tornam-se um fim em si mesmas e não admitem nenhuma orientação ética. Daí decorre a importância de promover uma educação voltada para o uso pleno da razão, compreendida em seu sentido mais amplo como abertura a todos os fatores da realidade.

Isto pode concretizar-se em todos os níveis do processo educativo, da infância até a idade adulta através de propostas que estimulem a observação de si e da realidade. É preciso estimular a tomada de consciência de si mesmo, não através de reflexões que partem de uma imagem da própria pessoa, mas da observação de si mesmo em ação nas circunstâncias cotidianas.

Além disso, é preciso afirmar uma hipótese explicativa unitária para a realidade. Não se pode exigir decisão e maturidade se não afirmamos claramente uma proposta, uma forma de ver toda a realidade a partir de um ponto unitário, em oposição à concepção fragmentada da vida humana que predomina atualmente. Cabe ao educador afirmar o valor pelo qual vive de maneira explícita, revelando as razões daquilo que lhe parece bom e verdadeiro, pois isto permite uma tomada de posição clara por parte do educando.

Educar é avivar o desejo que constitui a razão, para que ela reconheça em todas as circunstâncias os fatores originais do homem, levando em conta o senso religioso e sua inevitável busca de satisfação plena. É também apontar a precariedade das soluções parciais, ainda que estas respondam às necessidades justas e à permanência do desejo, que estruturalmente compõe o homem, buscando os nexos de cada ação com o sentido último de sua existência.

Esta é a grande tarefa que temos, cujo resultado não está em nossas mãos, pois, ?reconhecer que somos feitos de inquietude e que em nosso coração pesa um desejo de infinito é uma maneira de afirmar a liberdade incondicional de nossa vida e a maior dignidade que o ser humano pode almejar?. 9

Referências Bibliográficas:
1- Cf. Pino, Stefano A. Abraão : o nascimento do eu, Rímini, 2001, p.18.
2- Cf. Lauand, Jean Razão, Natureza e Graça ? Tomás de Aquino em Sentenças, S.Paulo, Edix-FFLCHUSP, 1995, p.47.
3- Carta Encíclica Fides et Ratio de João Paulo II, S. Paulo, Paulinas, p.47.
4- Giussani, Luigi ? O Senso Religioso, R.J.,Nova Fronteira, 2000, p.31
5- Cf. Giussani, Luigi ? O Senso Religioso, R.J.,Nova Fronteira, 2000, p.75
6- Sobre este tema ver Lauand, Jean ?Mother Mary Comes to me - a Radical Insegurança da Condição Humana? http://www.hottopos.com/mp2/mothermary.htm
7- Pieper, Josef Felicidade e Contemplação - Lazer e Culto, S. Paulo, Herder, 1969, p.11.
8- Pino, Stefano A. Abraão : o nascimento do eu, Rímini, 2001, p.6.
9- Navarro, Jorge - Las Preguntas Perennes ? http://www.hottopos.com/notand7/jorgenavar.htm


O Homem Integral e o Terceiro Milênio

?Tornada adulta, a Humanidade tem novas necessidades, aspirações mais vastas e mais elevadas; compreende o vazio com que foi embalada, a insuficiência das suas instituições para lhe dar felicidade; já não encontra, no estado das coisas, as satisfações legítimas a que se sente com direito. Despoja-se, em conseqüência, das faixas infantis e lança-se, impelida por força irresistível, para as margens desconhecidas, em busca de novos horizontes menos limitados.
É a um desses períodos de transformação, ou, se o preferirem, de crescimento moral, que agora chega a Humanidade. Da adolescência chega ao estado viril. O passado já não pode bastar às suas novas aspirações, às suas novas necessidades; ela já não pode ser conduzida pelos mesmos métodos; não mais se deixa levar por ilusões, nem fantasmagorias; a sua razão amadurecida reclama alimentos mais substanciais. É demasiado efêmero o presente; ela sente que mais amplo é o seu destino e que a vida corpórea é excessivamente restrita para encerrá-lo inteiramente. Por isso mergulha o olhar no passado e no futuro, a fim de descobrir num ou noutro o mistério da sua existência e de adquirir uma consoladora certeza.?
Allan Kardec, A GÊNESE, cap. XVIII, Sinais dos Tempos, p.14.


"Uma nova era para a Humanidade"

?Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade.?
Allan Kardec - O Livro dos Espíritos - Prolegômenos

1. O Homem Social,
2. O Homem Físico,
3. O Homem Tecnológico,
4. O Homem Espiritual,
5. O Homem Ecológico,
6. O Homem Integral.

Entrevista com Huberto Rohden

"O velho slogan ?abrir uma escola é fechar uma cadeia? peca por uma ridícula ingenuidade. O verdadeiro sentido de uma escola é intensificar a consciência e nem o governo, nem as igrejas, estão interessados nisso. O governo está interessado em instrução científica, e as igrejas limitam-se apenas à moralização. Mas nem instrução nem moralização tornam o homem melhor."
Esta é a opinião de Huberto Rohden, um dos maiores pensadores espiritualistas que o Brasil já produziu. Nesta entrevista fala sobre a verdadeira educação. Tema que desenvolveu em profundidade em seu livro A Educação do Homem Integral.
ENTREVISTA A MARCO ANTONIO LACERDA
FOTO DE LAMBERTO SCIPIONI
Em março de 1979

Há muitos séculos, a educação transformou-se em simples instrução. Todos os países do mundo dispõem de um Ministério da Educação, mas esses órgãos tratam apenas da instrução do ego periférico, intelectual, que recebe o nome fictício de educação humana. Como professor de filosofia, Huberto Rohden usou, durante muitos anos, esse método oficial de educação. Quem já leu A Educação do Homem Integral certamente notará uma modificação total no seu conteúdo: Rohden abandonou o método oficial de educação, que se preocupa apenas com a moralidade do agir. A Educação do Homem Integral, sem sua nova versão, deixou de ser um livro escolar, tornando-se uma obra literalmente dedicada à auto-realização.

"Este é um assunto", segundo Rohden, "fora da alçada dos poderes públicos".

? Ninguém pode educar ninguém. Não é possível. Os governos entendem educação como uma coisa transitiva, do professor para o aluno. Isso só é possível no nível da ciência, da física. Mas não é possível no nível da consciência, da metafísica. A verdadeira educação é intransitiva. Nem o próprio Cristo conseguiu educar seus discípulos com palavras, do contrário Judas não o teria traído. Os outros discípulos de Jesus só se auto-educaram na manhã de Pentecostes, quando o espírito da verdade, que neles despertou, sensibilizou-os.

Huberto Rohden nasceu em Tubarão, Santa Catarina. Formou-se em ciências, Teologia e Filosofia em universidades da Europa. De 1945 a 1946, conviveu com Albert Einstein nos Estados Unidos, trazendo para o Brasil, como fruto desse relacionamento, as bases da filosofia univérsica, hoje praticada no movimento Alvorada, com sede em São Paulo. Em 1946, Rohden foi convidado pela American University, de Washington, para reger as cadeiras de Filosofia Universal e Religiões Comparadas, ocupando o cargo durante cinco anos. Em busca de novas experiências espirituais, viajou peta índia, Nepal, Egito e Palestina. No final de sua vida dirigiu casas de retiro espiritual(ashrams) em todo o Brasil.

Um passo em mil anos:

Escrevo livros há mais de cinqüenta anos. Quando escrevi o primeiro, tinha 25. Não posso reafirmar o que disse há tanto tempo. Todos nós mudamos, não somos estáticos, somos dinâmicos. A verdade pode ser absoluta, mas o conhecimento dela é elástico, progressivo. Se fôssemos múmias o suficiente para nos petrificarmos e fossilizarmos em museus, poderíamos afirmar nossas convicções de vinte, trinta anos atrás.

A Educação do Homem Integral é a minha experiência de auto-educação. Sou eu educando a mim mesmo. Agora, uma pergunta: de que maneira a minha auto-educação pode beneficiar os outros? Se o educador se auto-educa, se ele se auto-realiza e poderá beneficiar, indiretamente, outras pessoas. Onde há plenitude de auto-realização, há um transbordamento na forma de vibrações benéficas. É como uma luz muito intensa que, além da casa, atinge também a vizinhança. Uma vez Mahatma Gandhi disse: "Quando um único homem chega à plenitude do amor, neutraliza o ódio de muitos milhões". O oposto é igualmente verdadeiro: quando um homem chega à plenitude do ódio, sua maldade se dissemina por toda parte. As duas últimas guerras degradaram horrivelmente a humanidade. Foram guerras de ódio, principalmente a última, quando Hitler mandou matar 6 milhões de pessoas só porque eram judias. Foi um ódio satânico, causado por um único homem. Isso prejudicou demais a humanidade. Ainda não nos recuperamos dos danos morais e espirituais da última guerra. Tudo aquilo nos afetou e afeta ainda hoje. Criou-se, desde então, uma atmosfera mundial de ódio. Todas as guerras que continuam existindo nos prejudicam, pois dificultam a atmosfera ao nosso redor e a nossa auto-realização.

Crise, agonia e catástrofe:
? O processo de evolução espiritual da humanidade é muito lento. Alguns dão um passo para a frente em mil anos. Se alguém se realiza plenamente, é um redentor da humanidade. Jesus estava a ponto de chegar a essa perfeição. Quem entre nós, seres humanos, poderia desafiar publicamente amigos e inimigos, perguntando, como Jesus o fez: "Quem de vós é capaz de me acusar de um só pecado?" Para se fazer um desafio como este é preciso estar em absoluta sintonia com as leis cósmicas. Isso, para mim, é plenitude, bondade. Bondade é estar em sintonia com as leis do infinito. As religiões chamam as leis cósmicas de Deus, eu chamo de leis cósmicas. Esta é a diretriz que o homem integral deve ter em mente: a auto-realização de uma pessoa favorece outras. Ninguém pode converter ninguém com palavras. Podemos converter alguém pelo que somos, nunca pelo que dizemos.

Ninguém pode converter ninguém
com palavras.
Podemos converter alguém pelo que somos,
nunca pelo que dizemos.
Huberto Rohden


? A maior crise do homem moderno continua sendo existencial, uma caótica frustração existencial. No passado o homem tinha perdido seu caminho, agora ele perdeu também o próprio endereço. Não sabe mais qual o seu destino nem a finalidade da sua existência. Chega até a negar a existência de uma finalidade. O homem está perdendo a noção da sua existencialidade. Escritores e filósofos proclamam abertamente que a vida humana não tem finalidade alguma e que o homem é um mero joguete no acaso de nascer, viver e morrer. Esta é a típica visão anticósmica da existência. É o resultado da instrução do ego periférico sem a educação do homem integral. Não adianta correr cada vez mais. O que falta ao homem moderno é uma orientação no meio dessa desorientação geral. Por exemplo: é preciso saber se todo esse progresso científico tem uma razão de ser. O progresso da ciência, para Einstein, é uma coisa maravilhosa. Mas a ciência não pode dar ao homem nenhuma finalidade certa da sua existência terrestre. Esta é a razão da crise existencial que está levando a humanidade à agonia. Os profetas e clarividentes de todos os tempos prevêem uma catástrofe universal para o fim do segundo milênio (entrevista dada em março de 1979). Essa tragédia não é outra coisa senão o resultado final da caótica frustração que o homem vive. O homem da frustração existencial é sempre infeliz, mesmo no gozo do sucesso social. O homem da realização existencial é sempre feliz, mesmo sem o gozo do sucesso social.

O homem da frustração existencial é sempre infeliz,
mesmo no gozo do sucesso social.
O homem da realização existencial é sempre feliz,
mesmo sem o gozo do sucesso social.
Huberto Rohden


A divisão em felizes e infelizes:
A felicidade do homem depende da visão panorâmica que ele tem da sua existência total. Essa visão não abrange apenas os poucos decênios de sua vida terrestre, mas também da vida após a morte. É absolutamente certo que o homem, quando deixa seu corpo material, continua a existir conscientemente em outras regiões do cosmos. A vivência terrestre é uma parcela insignificante da sua existência total. É importante que o homem adquira, aqui na terra, a certeza da sua vivência cósmica. Felicidade não é gozar todos os prazeres, mas viver em harmonia com a verdade, a justiça, a honestidade, o amor, a bondade, a fraternidade universal. Muitas vezes essa harmonia exige sofrimentos e sacrifício, renúncia e prazeres imediatos. É exatamente aqui que a humanidade se divide em homens felizes e infelizes.

A visão panorâmica da existência do homem nada tem a ver com qualquer religião ou filosofia. É uma experiência interna que o homem adquire quando remove de si todos os obstáculos que possam impedi-la. É difícil explicar aos ignorantes em que consiste esta experiência. O homem deve, antes, adivinhar e sentir, como que por empatia, o que é essa experiência da alma do Universo, que é a sua própria alma.

Há quem considere a natureza humana como um depósito de coisas boas e más. Na verdade, não existe nada de bom nem de mau na natureza humana. O bom e o mau só aparecem com o advento do livre-arbítrio, que faz o homem bom e o homem mau. Bom é tudo o que está em harmonia com as leis cósmicas, e mau é o que está em desarmonia. Bom e mau não são fatos objetivos, são valores subjetivos, criações metafísicas. O homem é quem faz existir o que é bom e o que é mau. Ninguém vai receber prêmio por ser bom nem será punido por ser mau. Prêmio e castigo, prometidos de fora para dentro, antes ou depois da morte, não são motivos honestos para ser bom ou deixar de ser mau. A única finalidade da encarnação terrestre do homem é a sua auto-realização e o único desastre é a sua auto-frustração.

Einstein tem uma frase que bem poderia ser a bandeira para uma nova educação: "O mundo dos fatos não conduz a nenhum caminho para o mundo dos valores". A educação atual limita-se apenas a fatos, é apenas instrução. E nenhuma instrução, por melhor que seja, aprimora o homem, pois limita-se ao conhecimento de fatos já existentes. O velho slogan "abrir uma escola é fechar uma cadeia" peca por uma ridícula ingenuidade. Os piores criminosos da humanidade não foram analfabetos, muitos deles eram homens eruditos. Abrir uma escola é incentivar a ciência, mas não significa necessariamente intensificar a consciência. Se houvesse consciência suficiente, não haveria necessidade de cadeias.

Nem o governo nem as igrejas tratam seriamente a educação, no sentido verdadeiro da palavra. O governo está interessado em instrução científica e as igrejas limitam-se apenas à moralização. Nem instrução nem moralização tornam o homem melhor. O homem realmente educado é bom e não espera recompensa, nem antes nem depois da morte. É incondicionalmente bom. É um equívoco que as teologias eclesiásticas eduquem o homem para ser bom. Elas apenas transferem o egoísmo terrestre para um egoísmo celeste.

A metafísica de Einstein vale mais para a verdadeira educação do que todas as instruções científicas dos governos e todas as teologias moralizantes das igrejas.

Estou, sim, denunciando os governos e as igrejas como responsáveis pela situação calamitosa da educação. Estamos num vácuo educacional. Governos e igrejas não se interessam pelos valores e sem valores não há educação. Verdade, justiça, Amor e honestidade são valores, criações da consciência e não simples descobertas da ciência.

Felicidade não é gozar todos os prazeres,
mas viver em harmonia
com a verdade, a justiça, a honestidade, o amor, a bondade, a fraternidade universal.
Huberto Rohden


A luta entre espírito e matéria:
Até meados do século passado era essa a doutrina sobre a origem e natureza do homem: o homem tinha vindo diretamente de Deus, como um ser perfeito, mas o ?diabo? provocou a sua queda. Depois da queda, Deus mandou um Salvador à humanidade para restabelecer o que o diabo havia destruído. Desde a segunda metade do século, prevaleceu entre os cientistas a teoria de Darwin sobre a descendência animal do homem. Nem uma nem outra teoria é aceitável pela lógica ou pela História. O homem era, de início, um verdadeiro ser humano, mas no estágio ínfimo da sua evolução. Não houve nenhuma queda. O que houve e continua a haver é uma luta entre os dois princípios básicos da natureza humana: espírito e matéria. A matéria se manifesta, no princípio, como mente que, no Gênesis, aparece na forma simbólica da serpente, enquanto o espírito é chamado de sopro de Deus. A tarefa do homem não consiste em extinguir o elemento mental e desenvolver o lado espiritual. A tarefa da vida e da evolução humana é estabelecer a harmonia entre o sopro de Deus e o sibilo da serpente. O homem é o senhor do seu destino e comandante da sua vida. Deus criou no homem o mínimo possível para que ele pudesse se criar o ao máximo possível.

O velho slogan
"abrir uma escola é fechar uma cadeia" peca por uma ridícula ingenuidade.
Os piores criminosos da humanidade não foram analfabetos,
muitos deles eram homens eruditos.
Huberto Rohden


O Deus que todos odeiam:
Parece que a educação religiosa que muitos recebem na infância gera um senso de revolta e mania de vingança. O Deus que eu conheci quando criança era um Deus de temor, não de amor. Me disseram que eu devia temer a Deus, que os homens tementes a Deus eram os santos. Eu pensava que Deus era um papão perigoso para ser tão temido. Por isso, compreendo melhor o que aconteceu a Voltaire, o pai do ateísmo. Perguntado por que não aceitava Deus, ele respondeu: "Não posso aceitar um Deus a quem não posso amar. O Deus que me ensinaram deve ser temido e, como não quero temê-lo, prefiro ignorá-lo".

Lembro dos meus oito anos, quando uma professora piedosa e piegas me preparava para a primeira comunhão. Ela disse que eu não devia esconder nenhum pecado mortal na confissão porque isso era sacrilégio. Eu nem sabia o que era sacrilégio, mas uma palavra tão feia só podia significar coisa ruim. E, para não cometer o tal sacrilégio, copiei do catecismo todos os pecados contra os dez mandamentos, que encontrei, muitos deles mortais. Na hora da confissão, li toda a lista, inclusive os meus homicídios e os meus adultérios. O confessor, vendo um garotinho através da grade do confessionário, não me levou a sério e me absolveu de tudo. Depois, veio o tormento da primeira comunhão. A professora, sempre muito piedosa, me preveniu severamente que eu não podia mastigar a hóstia sagrada, que era o corpo de Jesus. O único jeito era engolir a hóstia, sem deixá-la tocar nos dentes. Para maior segurança contra um possível sacrilégio, cortei, em casa, uma série de hóstias de papel e fui engolindo, uma por uma, sem morder nem encostar nos dentes. Como Voltaire, na minha infância só conheci um Deus e um Cristo que deviam ser temidos. Não sei se não cheguei a odiar secretamente esse papão do além...

O catolicismo é a religião oficial do Brasil, mas, segundo Tristão de Athayde, apenas 3% da população são católicos praticantes. É que nós chamamos de católicos todos aqueles que são batizados, casam-se e vão ser enterrados segundo os rituais do catolicismo. Se catolicismo fosse isso, poderíamos dizer que o Brasil é um país católico. A verdade é que a umbanda e o espiritismo são as religiões predominantes.

O catolicismo é a religião oficial do Brasil,
mas, segundo Tristão de Athayde,
apenas 3% da população são católicos praticantes.
Huberto Rohden


O caminho para a auto-realização:
Da África e do ocidente em geral vieram religiões: Elas são ocultistas, ritualísticas lidam com o subconsciente, com as forças elementais da natureza, muito pouco com o consciente ou o super-consciente. As religiões avançam para operar no nível do super-consciente, ou seja, atingir uma consciência acima do ego. As religiões orientais estão neste estágio porque os orientais têm cerca de 7 mil anos de cultura. O Oriente é voltado para dentro de si próprio, para o interior, enquanto o Ocidente prefere as exterioridades. O homem cósmico é a mistura equilibrada de interior e exterior.

? Se a verdadeira meditação fosse praticada diariamente, durante certo tempo, teria um impacto favorável na vida da pessoa. A dificuldade está na prática de uma autêntica cosmo-meditação, pois muitas vezes ela degenera em simples acrobacia mental ou cochilo devocional.

? A meditação por nós praticada consiste em não fazer nada, não pensar em nada, não querer nada e estar plenamente consciente. Para os principiantes isso equivale a desenhar um círculo quadrado. Quem nunca meditou confunde pensamento com consciência: "Ser consciente", diz Rohden, "é como um lago quieto, parado; pensar é como um córrego descendo afoitamente morro abaixo, fazendo muito ruído".

Para a meditação, são usadas cadeiras especiais para facilitar a postura ereta das costas. A posição a ser adotada é absolutamente natural, para ajudar a pessoa a esquecer o próprio corpo. Isso, segundo o professor, leva a uma vacuidade total.

? Segundo as leis cósmicas, onde há uma vacuidade acontece uma plenitude. Quem se esvazia totalmente de todos os conteúdos da sua ego-consciência será plenificado pela cosmo-consciência. Esta invasão da cosmo-plenitude na ego-vacuidade resolve todos os problemas da vida.

O homem cósmico é a mistura equilibrada de interior e exterior.
Huberto Rohden

A verdade que o Cristo ensinou:
? Jesus passou três anos falando a seus discípulos sobre um mesmo assunto: "O reino dos céus está dentro de vós, é um tesouro oculto que deveis descobrir, é uma luz debaixo do velador que deveis pôr no candelabro, é uma pérola no fundo do mar que deveis trazer à tona". E, apesar da insistência do melhor de todos os mestres, os cristãos de hoje ainda acham que o reino dos céus só vem depois da morte. É preciso ruminar esses fatos, como vacas que, deitadas à sombra de uma árvore, fazem voltar á boca o capim engolido inteiro.

O HOMEM INTEGRALMENTE ESPIRITUAL

É bem assim o homem integralmente espiritual: não é um homem pacatamente virtuoso, uma alma dogmaticamente mansa e domesticada para encampar docilmente as crenças tradicionais.

O homem integralmente espiritual é um intrépido aventureiro dos mundos ignotos, um genial sonhador do infinito, uma alma empolgada pela dinâmica inquietude metafísica dos insatisfeitos, dos insaciáveis, dos descontentes com o que ?todos? sabem e fascinado pelo que todos ignoram...

O homem espiritual, surdo aos barulhos dos profanos e às teses dos catedráticos, escuta intensamente vozes do grande silêncio que principia além de todos os ruídos estéreis. E o que esse silêncio anônimo lhe sugere é mais sedutor do que possam lhe dizer todos os discursos e os sermões dos sabidos e afamados.

Do livro Cosmorama

O Homem Lúdico

Os antigos já sabiam da importância do brincar no desenvolvimento integral do ser humano. Aristóteles quando classificou os vários aspectos do homem, dividiu-os em homo sapiens (o que conhece e aprende), homo faber (o que faz, produz) e o homo ludens (o que brinca, cria). Em nenhum momento, um dos aspectos sobrepujou o outro como mais importante ou significativo. Na sua imensa sabedoria, os povos antigos sabiam que mente, corpo e alma são indissolúveis, embora tenham suas características próprias.

A era capitalista com seu enfoque na produtividade e no lucro a qualquer preço, passou a valorizar os atributos intelectuais e físicos em detrimento dos valores espirituais tais como: sensibilidade, senso ético, solidariedade, altruísmo, idealismo e humor. Nas últimas décadas, a visão materialista do ser humano e de sua missão no mundo, independentemente de qualquer conceito religioso, passou a ser amplamente discutida pois não produziu o resultado desejado: a Felicidade.

Embora para alguns privilegiados ela pareça existir, as chamadas ?ilhas de prosperidade? estão cada vez mais ameaçadas pelas ondas de pessoas infelizes, violentas, que perderam a alegria e a crença do valor da vida.

O que vemos então são crianças e adolescentes armados com todo tipo de artefatos, matando-se entre si ou ameaçando outras crianças e adolescentes mais afortunadas do que elas.

E aí nós perguntamos: o que brincar tem a ver com tudo isso? Se considerarmos que brincar é a ação do homo ludens, aquele de quem falávamos no início e que é parte do ser humano integral, e que além do desenvolvimento físico e intelectual, o brincar, favorece o desenvolvimento dos vínculos afetivos e sociais positivos, condição única para que possamos viver em grupo, estaremos diante do principal, senão único, instrumento de educação para a vida.

O grande trunfo das atividades lúdicas é o fato de elas estarem centradas na emoção e no prazer mesmo quando o jogo possa trazer alguma angústia ou sofrimento. Nesses casos, quando a criança exprime emoções consideradas negativas, ele funciona como uma catarse, uma limpeza da alma, que dá lugar para que outras emoções mais positivas se instalem.

Sentimentos como raiva, tristeza ou frustração fazem parte de nossa vida diária. Poder exprimi-los através de um jogo, uma brincadeira, não só nos aliviará do fardo, como nos ensinará a utilizar o humor de forma a fortalecer nossa resiliência. Chutar uma bola ou virar cambalhota podem ser maneiras saudáveis de liberar aquela adrenalina concentrada em nosso organismo e que, muitas vezes, não permite nos concentrarmos nas atividades mentais, incluindo o aprendizado.

Felizmente, pouco a pouco, os muitos especialistas e os nem tanto, estão percebendo o peso e a importância do lúdico para o desenvolvimento saudável, não só de crianças e adolescentes mas também de adultos de qualquer idade.

Pesquisa recente realizada pela Fiocruz sobre o suicídio entre jovens, constatou que os maiores índices do Brasil estavam em cidades do sul do país (Rio Grande do Sul e Paraná) e o menor estava na Bahia. Foram consultados vários especialistas para avaliar os resultados, mas eu poderia afirmar, sem sombra de dúvida, que o humor baiano e sua maneira lúdica e alegre de encarar a vida, além das raízes culturais, são os grandes responsáveis para que seus jovens tenham mais apego à vida.

E apego à vida não significa somente amar-se a si próprio, mas também respeitar os outros à sua volta, respeitar a natureza e tudo o que a ela pertence. Apego à vida significa dizer um não a tudo que é antivida: drogas, excessos de qualquer tipo, apatia e desamor.

Recentes artigos publicados na imprensa nos dão conta do avanço das periferias e suas mazelas, entre elas a falta de espaço para brincar e para viver compartilhadamente. As conseqüências são previsíveis e assustadoras e está chegando o momento em que as crianças ali crescidas se defrontarão com aquelas criadas em redoma de luxo, muito confortáveis e ricas, mas não menos opressoras. E essas crianças com baixo nível de tolerância recíproca, mal humoradas, com sua sensibilidade mal aflorada, irão confrontar-se com toda raiva e violência de que são capazes os seres humanos desumanizados.

Cabe a nós, educadores, empresários, políticos e cidadãos comuns, repintar esse quadro com as cores suaves da alegria, da atividade livre, da convivência fraterna, propiciando a todos espaços e oportunidades para brincar.

Certa vez li em algum lugar de que forma fora negociada a primeira trégua entre árabes e judeus no Oriente Médio. O Primeiro Ministro da Noruega, que era o mediador do conflito, reuniu em sua casa, em Oslo, representantes dos dois lados. Esses discutiam acaloradamente quando a esposa do Primeiro Ministro entrou na sala com um lanche, acompanhada do filho de seis anos e alguns brinquedos. Enquanto os adultos comiam, o pequeno sentou-se no chão e começou a brincar. Imediatamente, talvez por deferência aos donos da casa, autoridades dos dois lados começaram a brincar com o menino e perceberam como seria bom se seus filhos pudessem fazer o mesmo. Nesse mesmo dia, a Paz foi negociada. Esse é um fato real, embora os conflitos no Oriente Médio ainda permaneçam. Ficou evidente o poder da brincadeira como fomentadora da paz e da boa vontade entre as pessoas.

A valorização da ludicidade natural do ser humano é a democratização das atividades lúdicas. Elas devem ser encaradas como um meio, um direito e um dever. Como meio, entendemos as inúmeras possibilidades de desenvolvimento pessoal, fontes de afeto, alegria e solidariedade que podem advir quando proporcionamos a alguém a oportunidade de brincar.

Como direito ele está instituído no artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança da ONU que diz: ?Toda criança tem o direito ao descanso e ao lazer, a participar de atividades de jogo e recreação, apropriadas à sua idade, e a participar livremente da vida cultural e das artes?.

Como dever, ?é a parte que nos cabe neste latifúndio?, pois somos nós adultos que respondemos pela qualidade de vida de todas as crianças que existem na nossa comunidade e das oportunidades saudáveis que oferecemos a elas hoje. Compartilhem suas experiências, suas crenças e sua alegria, pois brincar nos faz melhores e mais amados.

A Idéia do HOMEM Integral

Considerações iniciais:


O tema é "A personalidade integral", do livro "O Problema do Ser, do Destino e da Dor" de Léon Denis. Neste capítulo, resumindo, Denis nos convida a uma consciência cada vez mais ampla das nossas conquistas passadas ao longo das reencarnações e também das nossas possibilidades de realização futura. Viver o presente de posse do passado e antecipando o futuro.

André Luiz em uma obra sua (se não me engano, ?Missionários da Luz? ou ?Libertação?) fala muito sobre a importância da visão holística do homem. Que ligação podemos ver entre o conceito de HOMEM INTEGRAL e a visão holística do homem?

Existe toda ligação, uma vez que nós somos tudo o que manifestamos através do corpo físico, do perispírito. Esse tudo interfere nestas manifestações presentes e nas realizações futuras. E qualquer um que queira verdadeiramente conhecer o homem, deve buscar ter a visão o mais integral possível do ser. O que seria, no nosso entender, a verdadeira visão holística.

Seria a "posse do passado", a recordação de nossas encarnações anteriores? A posse do passado é simplesmente uma intensificação da velha proposta: "conhece-te a ti mesmo". Não é necessário resgatar da memória datas, nomes e lugares e sim tendências, habilidades, conhecimentos, enfim, conquistas nossas que fazem parte do nosso patrimônio e que são por nós, infelizmente, subutilizadas.

Fala-se muito em desenvolvimento intelectual e moral. Poderia conceituar-nos o HOMEM INTEGRAL em função dessas duas "asas" da evolução espiritual?

Como desenvolver-se intelectual e moralmente sem conhecer as próprias necessidades, sem estabelecer para si mesmo metas que se relacionem com estas necessidades? Sem a visão integral de nós mesmos, desperdiçamos esforços, tempo e energia necessárias à construção das nossas "asas?.

Qual a importância de uma educação mais voltada para o "Homem Integral"?

O que passamos para os educandos, quando estamos no papel de educador? Geralmente uma massa informe de conhecimentos e comportamentos que não ensinam ao homem quem ele é, o que faz aqui e a que se destina. Sem esses conhecimentos, toda educação será parcial e, portanto, deficitária no sentido de colocar o educando no caminho de sua plena realização.

Em questão da análise integral do homem, quais os avanços da Medicina no sentido da compreensão do homem como um todo e da importância de se ter uma visão global do que seja O HOMEM?

Nada fragmentou tanto a visão do homem como um todo como a moderna Medicina. Primeiro, destacaram-se aparelhos e sistemas do corpo humano. Depois, órgãos e funções. A situação atual é de crítica a esse processo no qual cada paciente é atendido por um número absurdo de especialistas e subespecialistas, aos quais não interessam situações familiares, conflitos individuais e sociais, que são as verdadeiras causas das doenças. Acreditamos que passado esse momento de crítica, a busca da visão integral do homem deixará de ser proposta de alguns poucos profissionais conscientizados do problema e se imporá como uma necessidade à boa prática médica em todas as suas possibilidades de atuação.

Como podemos "resgatar" essas habilidades que se encontram em nós, digamos, num estado de latência?

Isso não é uma coisa da qual se possa dar a receita, mas Léon Denis traça para nós um programa a ser iniciado o quanto antes. Primeiro, o estudo, a meditação para que sintamos que, VERDADEIRAMENTE, temos tais habilidades. Uma vez consolidado esse conhecimento, iniciamos um trabalho de desenvolvimento das potências da alma, que são a nossa herança divina: vontade, pensamento, sensibilidade e amor. E, finalmente, façamos "saques" à nossa personalidade integral, oferecendo-nos sempre novas propostas de trabalho e de realizações. Por exemplo, você, Dracon, tem habilidades para jardinagem, artesanato, falar outro idioma, ensinar a crianças, tocar um instrumento, fazer curativos, cozinhar?

Em que a compreensão real e integral de nós mesmos nos ajudaria na vivência das máximas evangélicas no nosso dia-a-dia?

Apesar desta reflexão ser individual, porque cada um tem seu campo de trabalho, vamos responder de forma resumida e geral. A visão integral de nós mesmos nos propicia a aceitar e trabalhar as situações de dor que vivemos, porque foram por nós mesmos criadas no passado. A visão integral de nós mesmos nos lança de forma irreversível na realização do nosso "eu perfeito". E essa proposta dará a qualidade e a direção de todos os nossos atuais esforços.

O homem que não se conhece intimamente (a si mesmo) pode exercer a mediunidade de forma "integral"?

Esse homem que não se conhece integralmente somos todos nós. Se tomarmos o modelo de Jesus, saberemos o que é exercer a mediunidade de forma integral. Para nós, este ainda é o momento de tomar conhecimento do que é a personalidade integral e de nos lançarmos na sua conquista.

Como interpretar a afirmação de Jesus "sois deuses" do ponto de vista da abordagem do Homem Integral?

Essa afirmação vem corroborar tudo aquilo que viemos estudando, ou seja, Jesus via que o nosso "eu perfeito" já existia em cada um de nós naquele momento.

A tendência filosófica dos milênios passados era de introspecção e busca da "Verdade Individual" dentro de conceitos altamente personalistas. Certamente trouxe contribuições valiosas, mas não encontra eco na forma de pensar atual (principalmente pelos avanços científicos). A pergunta: Estaria o homem buscando ultimamente se conhecer melhor saindo de seu Universo egoísta? Será esse um caminho correto para o autoconhecimento?

O Homem, atualmente, ainda está mais sendo pressionado pela dor do que buscando, por um ato de livre vontade, o autoconhecimento. A proposta de Léon Denis é que não fiquemos esperando que a dor nos force a buscar os recursos infinitos do próprio espírito, mas que façamos essa busca de forma livre e intensa partindo de nosso próprio "eu".

programação


©2004-2014 by Grupo Espírita Servidores de Jesus
Sede: Rua Visconde de Sepetiba, nº 81, Centro, Niterói, RJ, Brasil. CEP: 24020-206.
Telefone: (21)2622-8757.
R. U. P. M. Lei Nº 1245/97 - CNPJ: 39529490/0001-53 - Inscr. municipal: 081893/0018
Nosso correio eletrônico: contato@servidoresdejesus.com.br
A Página do GESJ está na Internet desde 16/12/2004.